quinta-feira, 17 de dezembro de 2009



Depois da aula, fora de bicicleta até um parquinho à beira do lago. De uma bolsa presa à bicicleta tirou o Manual do amador de rádio e Um ianque na corte do rei Artur. Depois de um instante de reflexão, decidiu-se pelo segundo. O herói de Mark Twain levara uma pancada na cabeça, acordando na Inglaterra arturiana. Talvez fosse tudo um sonho ou um delírio. Mas talvez fosse verdadeiro. Seria impossível retroceder no tempo? Com a cabeça enfiada nos joelhos, Ellie procurou uma de suas passagens favoritas; aquela em que o herói é, pela primeira vez, capturado por um homem de armadura, que o toma por doido que fugiu do hospício do lugar. Ao chegarem ao topo da colina, vêem uma cidade deles:
"Bridgeport?, perguntei...
"Camelot", disse ele.
Ela olhou para o lago azul, tentando visualizar uma cidade que poderia passar tanto pela Bridgeport do século XIX como pela Camelot do século VI, quando a mãe correu até ela.
"Procurei você por toda parte. Por que nunca está num lugar em que posso encontrá-la? Ah, Ellie", murmurou a mãe, "aconteceu uma coisa terrível."

Contato, de Carl Sagan

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