terça-feira, 18 de maio de 2010

COR: RAZÃO E SENSIBILIDADE


Pintura nº 78 (2010), de Felipe Góes

Meus olhos tateiam as diversas camadas e texturas. O caminho do pincel dita o meu caminho, as linhas que não aparecem mas que estão lá, ocultas pelas dimensões de cor. Busco algo que ainda não sei definir, algo além do pigmento, um significado emergente na pintura. Talvez um lapso de memória, uma referência ao amor, uma apologia à vida. Entre coisa e outra, encontro na pintura de Felipe Góes minha própria vontade de sentir.

Experimentar com cores é experimentar o olhar. Transformar a superfície por meio de ranhuras, manchas, transparências, massas uniformes ou difusas. Os planos se sobrepõem e constroem uma nova espacialidade. Em outro canto, eles impõem limites, fronteiras, numa dialética sensível e sensual. O amarelo toca o azul mas eles não se misturam; o verde permanece como potência, na iminência de existir. O mesmo acontece com a figura, a perspectiva, a profundidade. Por quê? O que há por trás de tudo aquilo?

Não sei dizer. Não sei explicar o encanto, embora ele se mostre claramente. Acho curioso o fato de que, mesmo depois das tantas mutações que a arte sofreu no último século, Felipe ainda se deixe intrigar pelas cores.

ORA, EXISTE MISTÉRIO MAIS ESSENCIAL À PINTURA?

Ainda bem que ele o faz. Sua pesquisa é interessante e enigmática, viva e loquaz. Enquanto sintonizo tranquilamente suas ondas cromáticas, sinto o poder persuasivo da arte reativar os sensores mais abandonados do meu ser.

Talvez o excesso de conceitualismos dos últimos tempos tenha enrijecido minha alma. Por isso, é muito bom deixar a pintura me levar sem explicar por quê, por onde ou por quanto tempo. As cores, que falam a língua do sentimento mais puro. As cores que surgem e que se vão, deixando em minha alma uma marca inconfundível. Doce sedução.

Observar atentamente aquelas pinturas traz um risco gostoso de assumir: você se sente parte delas e quer ir sempre mais a fundo. Será possível? Felipe Góes nos prova que sim.


SOBRE A EXPOSIÇÃO
Corpo da Cor, individual de Felipe Góes na Casa Galeria
De 17 de maio a 19 de junho
www.casagaleriacafe.com.br





Na sequência: Pintura nº 72, Pintura nº 70 e Pintura nº 63

Veja mais obras em: Felipe Góes_Portifólio de Pinturas

2 comentários:

  1. Maravilhoso o que escreveu, mais maravilhoso as pinturas d emeu amigo. Parabéns aos dois.

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  2. Belo texto!
    Um dos maiores méritos desse nosso amigo é se lançar em uma redescoberta da expressão essencial.
    Só pela busca empreendida, ele já chegou lá.

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