quarta-feira, 28 de julho de 2010

AOS 25 ANOS, COM AFETO



Texto e fotos por Carlota Cafiero
Assessora de comunicação do LUME Teatro


Um clarinetista maluco desafiava os carros que desciam a Rua Monte Alegre, em Perdizes, enquanto uma moradora de rua puxava um trenzinho de madeira atrás de si, falando impropérios aos passantes. Jogado na calçada, um homem de short e camiseta ignorava o frio, visivelmente embriagado. Próximo dele, uma mulher com os cabelos desgrenhados tomava cachaça e contava piadas aos curiosos. Tudo isso aconteceu na noite de segunda-feira, em um mesmo momento e quarteirão, na frente do Teatro da Universidade Católica (TUCA), o que chamou atenção de pedestres e motoristas que, por alguns momentos, viram suas rotinas alteradas pela ocupação CASA LUME, que o LUME Teatro está promovendo em todos os espaços do TUCA, em comemoração aos seus 25 anos de fundação.

As cenas descritas acima foram apresentadas pelos atores Ricardo Puccetti, Ana Cristina Colla, Jesser de Souza e Raquel Scotti Hirson, respectivamente, e fizeram parte da abertura da programação da CASA LUME, que segue até 1 de agosto, domingo, com palestras, demonstrações técnicas, workshops e espetáculos no TUCA - que também está comemorando aniversário, mas de 45 anos.

As cenas não pararam por aí: dentro do foyer do TUCA, mais dois atores do LUME surpreendiam o público com suas figuras: Carlos Simioni vestia o figurino do espetáculo solo "Sopro", dirigido por Tadashi Endo, e se movimentava lentamente ao lado da exposição de fotos "Fluxolume", montada por Juliana Pfeifer. No alto de uma das escadarias do foyer, Naomi Silman apresentava a trágica figura de Lady Macbeth, em um exercício cênico que faz parte da demonstração técnica Não Tem Flor Quadrada. Em outra escadaria, Puccetti fazia um trecho do solo "Cnossos", espetáculo que está há 15 anos em cartaz.



No foyer superior do teatro, mais figuras: Renato Ferracini como o Seu Mata-Onça, de "Café com Queijo", provocava risos nos público espalhado pelas almofadas e sofás do Cantinho da Leitura da CASA LUME - com livros e revistas publicadas pelo grupo junto da editora da Unicamp e Hucitec -, enquanto Jesser de Souza, de chapéu e bengala, subia lentamente a escada como Seu Geraldinho, do espetáculo fora de cartaz "Contadores de Estórias.

Quem conduzia o público entre uma figura e outra era a atriz Silvia Leblon, como a palhaça esfarrapada do espetáculo "Sonho de Ícaro", do LUME. Dessa, forma - e com um guia ilustrado nas mãos - os cerca de 100 espectadores que compareceram à abertura da CASA LUME no TUCA foram apresentados a algumas figuras-chaves que marcaram a trajetória dos 25 anos do grupo.

Para finalizar o evento de abertura, os sete atores retomaram figuras do espetáculo cênico-musical "Parada de Rua", preenchendo todos os espaços do TUCA com canções, sopros e percussão, levando o público para o Tucarena - onde está montada a exposição de fotos "Singularidades Plurais", de Adalberto Lima. Lá, Carlos Simioni (que também é coordenador e cofundador do LUME), ainda vestindo o figurino feito de papel-arroz de "Sopro", falou à plateia sobre o desafio de manter um grupo de teatro durante 25 anos, seguido da fala da musicista Denise Garcia, viúva de Luís Otávio Burnier (idealizador e fundador do LUME) e também cofundadora do grupo.

Após a exibição de um trecho da rara gravação do espetáculo "Duo para Piano e Mímica", com Burnier e Denise, os atores rasgaram a tela de papel e entraram em cena como as exageradas e bem-humoradas figuras dos Bem Intencionados, para apresentar o número musical "Caleidoscópio de Emoções", que faz parte do novo espetáculo do LUME, ainda em processo. Foi dessa maneira afetiva, e rindo de si mesmos, que os atores inauguraram a semana que comemora as Bodas de Prata deste importante núcleo de pesquisa teatral.



Se você ainda não leu, aqui estão meus comentários sobre a abertura do evento.

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