sábado, 1 de dezembro de 2012

QUESTÕES CRUCIAIS PARA O CAMPO DA PESQUISA NAS CIÊNCIAS HUMANAS*

1) A impossibilidade da transparência do olhar do pesquisador e a afirmação do perspectivismo. Em outras palavras, não existe ciência “pura”, e toda construção objetiva sofre interferência de uma cadeia de subjetividades. Afinal, os dados não significam nada sem alguém que os produza e interprete.

2) A crítica da separação entre o sujeito e o seu objeto. Porque nós e o mundo somos feitos da mesma matéria, e um está contido no outro assim como o outro está contido no um**.

3) A articulação do conhecimento com o desejo (vontade do pesquisador e/ou da coletividade) e a implicação (entender “implicação” como conhecimento intrínseco às coisas, portanto o movimento da pesquisa acontece tanto do observador para o assunto quanto – e talvez mais relevante – do assunto em direção ao observador).

4) A recusa da atitude demonstrativa em nome do construtivismo tido como experimentação de conceitos e novos dispositivos de intervenção. Afinal, como Adorno explicou***, a ciência não dá conta de todos os conhecimentos possíveis no mundo.

* Este post foi inspirado em um texto sobre Cartografia e Pesquisa-intervenção, se eu não me engano. Encontrei essas anotações num caderno antigo, mas não a fonte.
** Maurice Merleau-Ponty, O olho e o espírito, (1964).
*** O ensaio como método, de 1958 (?).

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