segunda-feira, 10 de agosto de 2015

“A imprensa é uma vasta boca aberta que tem de ser periodicamente alimentada – um vaso de enorme capacidade que tem de ser preenchido. É como um trem regular que sai numa hora marcada, mas que só pode sair se todos os lugares estiverem ocupados. Os lugares são muitos, o trem é consideravelmente longo, e daí a fabricação de bonecos para as estações em que não há passageiros suficientes. Um manequim é colocado no assento vazio, onde passa por uma figura real até o final da jornada. Parece-se bastante com um passageiro, e você só percebe que ele não o é quando nota que não fala nem se move. O guarda vai até ele quando o trem para, limpa as cinzas de sua face de madeira e muda a posição de seu cotovelo, de modo que sirva para uma nova viagem. (…) O espírito arisco pode se perguntar, sem resposta à mão, qual a função na vida de um homem dessa periodicidade de platitude e irrelevância? Tal espírito vai se perguntar como a idade de um homem sobrevive a isso e, sobretudo, o que é mais importante, como a literatura resiste a isso (…). Os sinais da catástrofe, no caso, suponho que não serão tão sutis que não possam ser apontados – a falência da distinção, a falência do estilo, a falência do conhecimento, a falência da reflexão.”

Henry James, Crítica (mais de um século atrás!)

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