terça-feira, 3 de junho de 2014

(DES)FORMAÇÃO CONTEMPORÂNEA

Masterpiece (1962), de R. Lichtenstein

Roy Lichtenstein acreditava, nos anos 1960, que a arte não deveria transformar nada, no sentido de "mudar o mundo", conforme o ideal modernista que sucumbiu nas guerras mundiais. Isso não seria "função" da arte, se é que ela pode ter finalidade além de si própria. Para ele, a arte não transformava, apenas formava.

Hoje não cabe afirmar o mesmo. Essa espécie de vontade construtiva se esgotou. Nem transformação nem formação; o interessante, no contemporâneo, é a desformação. O desvio. O dissenso. A errância. A transversalidade. A transgressão. A profanação. A possibilidade de experimentar, por meio da obra – seja ela do tipo que for –, a experiência em si. O ato. O gesto. Experimentar a vida, a proximidade da vida com a arte que por vezes as torna indiscerníveis.

Desconstruir conceitos, desfazer estruturas tradicionais, esfacelar verdades absolutas. Revelar possibilidades. Inventar atitudes pertinentes às demandas de agora. Estabelecer diálogos. Colocar novas formas em operação. Sem razão ou brutalidade, sem informação ou conformismo.

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