segunda-feira, 14 de dezembro de 2009


L.H.O.O.Q. (1919), de Marcel Duchamp

"Quando nos dispomos a fazer a apreciação de uma obra, seja ela qual for, independentemente da leitura que dela fizermos, é preciso, a cada encontro, olhá-la e ouvi-la pacientemente, esperando que ela nos fale. Para isso, temos de abandonar qualquer pretensão a um sentido preestabelecido ou a uma compreensão imediata. Essa postura disponível do espectador é a exigida pela própria singularidade das obras, porque é uma característica intrínseca a toda obra apresentar uma coesão, uma unidade estrutural tão poderosa que ela remeta mais a si mesma e sua história do que a qualquer outra situação no mundo."

"É preciso respeitar uma obra em seu ser específico, (...) tratá-la como um corpo autorreferenciado, (...) uma organização sensível com duplo aspecto: o de mostrar-se a si mesma, como corpo, como espaço-tempo próprio, em sua imanência, e de suscitar, ao mesmo tempo, um sentido transcendente, um mundo, ou seja, um conjunto mais ou menos vasto de possibilidades de existência e tonalidades afetivas, abstratas ou concretas."

João A. Frayze-Pereira, em A psicanálise implicada

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