domingo, 17 de janeiro de 2010

A ARTE, O LIXO E O HOMEM



Creio que toda boa arte começa com um problema. Algumas, no entanto, também terminam com um. É o caso das caixinhas de lixo de Justin Gignac. Elas surgiram de um desafio a respeito do design de embalagens. Se a embalagem fosse tão importante quanto o seu conteúdo, talvez possibilitasse a venda de um artigo que ninguém gostaria de comprar. Tipo o quê?, perguntou-se o artista. Tipo lixo, responderam as ruas sujas de Nova Iorque.

Justin então desenvolveu caixas de acrílico à prova de cheiros, recheou-as com lixo coletado manualmente pela cidade, numerou e passou a vendê-las. Foi um sucesso. Hoje, já são mais de 1.200 cubos espalhados pelo mundo, alguns com edição especial, tais como os coletados durante a inauguração do estádio dos Yankees, ou durante o reveillon de 2008 em Times Square.

Mas em que momento essa produção ganhou status de arte? Eu diria que foi quando permitiram interpretações a respeito de ecologia, da relação do homem com a Terra e, mais importante, dos resquícios sórdidos da humanidade. Pois somos os únicos seres vivos que produzem lixo, especialmente inorgânico. O lixo é a pegada que deixamos para trás, o maior sinal da existência de civilização (e também da falta dela). As caixinhas de Justin Gignac nos fazer repensar um monte de coisa. E, inclusive, têm o poder de transformar lixo em arte.

Saiba mais sobre o projeto: http://www.nycgarbage.com/


No site acima, há links que levam a uma série de reportagens sobre seu trabalho. Gostaria de destacar a seguinte, exibida pela TV Globo em setembro do ano passado:



Se não conseguir assistir ao vídeo, clique aqui: GLOBO.COM


Minha caixinha chegou há alguns dias. Seu conteúdo foi coletado em 11 de dezembro de 2009, recebeu o número 912 e inclui: um elástico de dinheiro, um copo de papel do McDonald's, um saquinho de molho agridoce bem esquisito, uma pena de pombo e um cupom que não consigo identificar. Veja as fotos abaixo, que foram tiradas na medida em que eu abria o pacote:

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