domingo, 23 de janeiro de 2011

CULTURA, PATRIMÔNIO HISTÓRICO NACIONAL



A polêmica sobre o fim do Belas Artes, cinema tradicional de São Paulo e muito querido entre os cinéfilos por causa de sua programação bem selecionada, me faz pensar na situação cultural do país. Você deve ter lido alguma notícia sobre o caso: o dono do imóvel o pediu de volta, o cinema já andava sem dinheiro desde que perdeu o patrocínio do HSBC, alguém quer abrir uma loja no lugar, os fãs fizeram manifestação, a entidade Viva Cultura e a Associação Paulista de Cineastas entraram com pedido de tombamento do edifício e, resumindo, quem perde com tudo isso somos nós, mais uma vez.

Digo mais uma vez porque, no ano passado, outro cinema tradicionalíssimo fechou as portas e, infelizmente, naquele caso, a comoção foi bem menor. Depois de trinta e cinco anos operando numa galeria da Avenida Paulista, o Gemini se despediu timidamente do público. Foi assim mesmo, exibiu seus filmes no fim de semana e, na segunda-feira, já não existia mais.

Lembro-me da primeira vez que vi um filme lá, sentado naquelas poltronas largas de madeira, o cheiro de ambiente pouco ventilado, a pipoqueira no estilo anos 1960 – talvez fosse mesmo daquela época –, o carpete vermelho na entrada, os cartazes de filmes antigos, o som fraquinho, chiado, pouca luz, a porta localizada bem no meio da sala. Era antigo, meio caidinho, mas tinha seu charme. Assistir a um filme nas suas duas únicas salas era como voltar no tempo e, me parece, ele sim justificava um tombamento. Podia também ter virado museu do cinema nacional, ficaria perfeito. Nós precisamos de espaços assim.

Já no caso do Belas Artes, mesmo que se consiga tombar o prédio – o que vai ser difícil, diga-se de passagem, uma vez que ele não tem valor histórico algum –, isso não vai garantir sua sobrevida, renderá apenas uma forte dor de cabeça para o proprietário. Pode até ser que este reconsidere e deixe o cinema funcionar mais um pouco, até falir definitivamente por falta de dinheiro. Não há um culpado na história, percebe? Não adianta soltar os cachorros sobre o locador. A culpa é da própria situação a que a cultura do país chegou, situação que nós mesmos criamos. Apesar da enorme bilheteria, não existe uma tradição de cinema por aqui. Não existe educação para o público e os filmes, para a grande maioria, são mero entretenimento. É uma história dramática.

Eu queria muito que o Belas Artes continuasse firme e forte, oferecendo sua programação selecionada a dedo – sempre ótima alternativa às grandes redes, que homogeneizaram o mercado e transformaram o cinema num passatempo mecânico, repetitivo e sem graça. Eu queria que filmes autorais, do segundo ao último escalão, filmes de orçamento apertado e experimentais, europeus, asiáticos e especialmente nacionais continuassem a ter ao menos um lugar que os exibissem. Pois nada adianta produzir filmes se eles não conseguem ser vistos.

Nossa falta de salas é um problema crônico, muitas produções brasileiras vão direto para as locadoras porque ninguém quer exibi-las. E não estou falando de filmes amadores. Budapeste, por exemplo, que foi baseado num best-seller de Chico Buarque e conta com elenco poderoso, eu só consegui ver no Gemini. Era só lá. Eclipse, por sua vez, estreou em setecentos e oitenta salas. Nada contra blockbusters, não me entenda mal. Só acho que as grandes redes deveriam ceder um espacinho para produções alternativas, pelo bem da cultura. Vão dizer que cinema é um negócio como qualquer outro e que é o público que decide. Mas, se o público não tem opção, fica difícil, né?

Enfim, eu queria que o Belas Artes sobrevivesse, de verdade. E que muitos outros como ele surgissem por aí. Só que, para isso, não basta tombar os edifícios, não basta uma manifestação isolada e surgida no desespero. É preciso tombar a cultura do Brasil. É preciso envolver todo mundo e mostrar que a nossa maior riqueza corre perigo. Talvez isso fizesse com que ela recebesse o merecido respeito ou, no mínimo, a merecida atenção. Porque senão alguém logo a põe abaixo sem que a gente perceba e constrói um shopping no lugar.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

DIFERENTE, COMO TODO MUNDO TENTA SER

“Não se curem além da conta. Gente curada demais é gente chata. Vou lhes fazer um pedido: vivam a imaginação, pois ela é a nossa realidade mais profunda. Felizmente, eu nunca convivi com pessoas muito ajuizadas.”

Quem disse a frase acima foi a Dra. Nise da Silveira, que revolucionou a psiquiatria no Brasil utilizando arte no lugar de remédios, cirurgias e choques elétricos. Mais do que ninguém, ela conheceu as profundezas do inconsciente humano e soube respeitar a realidade paralela que existe dentro de cada um de nós.

Qual é o segredo da imaginação? Liberdade. Não se curar além da conta, como diz Nise, significa não querer ser normal demais, “igual a todo mundo, como todo mundo faz”. Concordo. Ser diferente, em minha opinião, é muito mais interessante do que ser indiferente à opinião alheia.

Para conhecer um pouco mais da doutora e da história da psiquiatria no Brasil, recomendo a biografia Nise: Arqueóloga dos Mares (Rio de Janeiro: Aeroplano, 2009), escrita pelo jornalista Bernardo Carneiro Horta. Repleto de causos e citações, o livro é gostoso de ler e revela tudo aquilo que fazia de Nise uma figura à parte, diferente de seus colegas médicos e, por isso mesmo, interessantíssima.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

A ORIGEM DO TERCEIRO MUNDO

Escrevi uma crítica da obra A origem do terceiro mundo (2007), do artista brasileiro Henrique Oliveira, para o Programa de Pós-Graduação do MAC/USP. Trata-se de uma instalação que conheci na Bienal passada e que sugere reflexões interessantes quando a penetramos – pois, percorrendo seus labirintos de tapume, acabamos por descobrir a nós mesmos. É por isso que chamei o texto de A origem do terceiro mundo e a origem de nossos próprios mundos.

Como ele é extenso demais para eu publicar aqui, gostaria de compartilhar com vocês ao menos as fotografias que fiz na ocasião.

Quem não foi ou não encontrou a obra no meio daquela abundância confusa da Bienal vai perceber que, reflexões à parte, era uma experiência bastante divertida. Saí de lá renascido. E acho que você vai entender por quê.









quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

"NEM TODO INIMIGO DE UM PARANOICO É IMAGINÁRIO"

A gente nunca vai saber, certo? Não dá para saber o que aconteceu, não dá para explicar, é aquele tipo de coisa que não faz sentido. Simplesmente acontece. O cara reaparece depois de passar um ano sumido e não se lembra de nada do que aconteceu. Ele nem percebeu que ficou um ano inteirinho fora de circulação. Desconhece o paradeiro da esposa e da filha, chegou inclusive a cogitar que elas nem existiam, que eram fruto da sua imaginação. Todo mundo achou que eles estavam mortos. Sequestrados, estuprados e enterrados, essas coisas que se acha por aí. Então, o cara reaparece e bota todo mundo para sofrer de novo. Esperança? Não, a esperança já se foi. A gente só quer uma explicação. Só que a gente nunca vai saber, certo? Não dá para saber o que aconteceu.

Essa é a premissa do livro Nada me faltará (Companhia das Letras, 2010), do paulistano Lourenço Mutarelli. Um livro em que nada se explica, muito pelo contrário: a ideia é colocar o leitor para duvidar e se angustiar.

"O que eu quero dizer é que a impressão que eu tenho é que... é como se fossem eles que, sei lá, caso isso tenha realmente acontecido, caso eu tenha ficado mesmo um ano fora do ar... Talvez eles é que de repente tenham avançado no tempo... ou coisa do tipo. Percebe a loucura disso tudo?"

Transcrevendo apenas as falas, Mutarelli obriga o leitor a criar todo o resto e a se tornar coautor da história. Porque os ambientes, as características físicas, as roupas e as expressões faciais das personagens estão ali, eu me lembro deles, apesar de não haver qualquer descrição a respeito. Ou será que tudo está em minha cabeça? É realmente uma coisa muito louca.

Incrível como um diálogo realista é suficiente para o leitor acrescentar todos os outros elementos tradicionais da narrativa. Mais ou menos como um teatro sem movimento, sendo representado no escuro, bem diante de nossos olhos fechados. Basta um locutor para fazer um espetáculo indescritível.

O cara que reapareceu do nada não dá a menor bola para a preocupação dos familiares e amigos. Para ele, foi como chegar em casa depois do trabalho, dormir e acordar na manhã seguinte. Só que, ao invés de uma noite, um ano inteiro se passou, seu apartamento foi devolvido ao locador, suas coisas foram doadas, sua rotina se perdeu. Ele não entende, eles não entendem.

O cara logo começa a ser pressionado, todo mundo precisa compreender, precisa de uma resposta lógica ou minimamente plausível para aquelas questões que não os deixam em paz.

"Ficam cobrando uma atitude exagerada de minha parte, (...) não admitem o fato de que eu esteja bem". Todos preferem achar que as meninas estão mortas, que eu as matei e sumi com os corpos. Isso explica tudo facilmente, é fácil de aceitar. Mas como posso afirmar algo em que não acredito? Eles exigem um culpado, embora eu não acredite nisso. Acredito que, como eu, elas também poderão voltar. De qualquer maneira, não importa. Só quero mesmo é ficar em paz.

É como se nada fizesse falta para ele, nem mesmo a lógica, nem mesmo os dias perdidos. "Nada me faltará", diz o título. Pois, se o fato de não saber coisa alguma lhe angustia, imagine não ter como descobri-las! É insuportável, não dá. Sendo assim, nada faz mais sentido do que encarar a vida com apatia. Nada é mais confortável.

O texto de Mutarelli é tão fluido e instigante que li tudo numa única tarde. Pode ser consequência da experiência do autor – escritor e ilustrador – no ramo dos quadrinhos. Quem assistiu ao filme O cheiro do ralo (2007), adaptação de outro livro seu, deve ter percebido o ritmo alucinante que o caracteriza.

Quanto ao Nada me faltará, eu não conseguia largá-lo. Assim como a mãe e os amigos do tal desaparecido reaparecido, eu também precisava descobrir o que se passou. Só que a gente nunca vai saber, certo? Não dá para saber o que aconteceu, não dá para explicar, é aquele tipo de coisa que não faz sentido. Simplesmente acontece.

Demais.


Lourenço Mutarelli

Detalhes da obra você encontra aqui: Companhia das Letras
Esta resenha também foi publicada na Revista Psicanalítica. Aproveite para conhecê-la!

domingo, 9 de janeiro de 2011

HISTÓRIAS DE LITERATURA

Redescobri o romance. Adoro fazer isso de tempos em tempos. Leio, leio e leio, até cansar; então os coloco de lado e retorno à crítica de arte, teorias, filosofia, biografias e não-ficção em geral. Até que bate aquela saudade forte e mergulho nos romances mais uma vez. Vou comprando esses livros compulsivamente e estocando para degustar no rigor do inverno. Faço isso desde pequeno. Herdei o costume de uma tia, que possuía centenas de volumes e que, na minha meninice, pareciam milhares, talvez milhões. Eu achava aquilo lindo, uma parede repleta de histórias dentro do próprio quarto. Tanto que, na adolescência, eu já tinha minha muretinha. Junto comigo, ela cresceu e se espalhou pela casa. Foi sobre a solidez dessa estrutura que eu me ergui. E aqui estou.

Ninguém discorda de que ler é um hábito saudável, embora poucos o pratiquem. Difícil explicar por quê. Talvez seja trauma da literatura imposta goela abaixo pelo colégio, que ainda não aprendeu a ensinar. Aqueles professores se esquecem do prazer da leitura e se preocupam apenas com suas aplicações práticas, tais como as avaliações semestrais e o vestibular. Isso não é educação.

Em meu tempo de colégio, minha professora de português não falava comigo. Ignorou-me o quanto pôde, das aulas até a formatura, pois eu questionava seu método de ensino. Tudo bem que eu era um verdadeiro pentelho, não arredava o pé das minhas convicções pouco fundamentadas. Porém, ao invés de me conquistar, aquela professora preferiu me ignorar. Lembro-me de que, nas aulas de literatura, entre um Augusto dos Anjos e um José de Alencar, eu levantava a mão e perguntava: quando vamos estudar Luís Fernando Veríssimo? E Stephen King? Ela então respondia qualquer coisa que me fizesse parecer estúpido. Era uma afronta falar desses dois na frente daqueles.

Eu entendia que os clássicos tinham o seu valor, só não me considerava preparado para eles. Se até hoje me considero despreparado para dialogar com alguns, imagine naquela época! Mas eu adorava ler e estava disposto a discutir autores mais populares e acessíveis. Afronta, para mim, era exigir a leitura, a compreensão e o prazer da experiência literária de um José de Alencar, considerando um leitor que, até então, só conhecia os gibis da Turma da Mônica. Achava importante saber o lugar dos clássicos na história e respeitar suas virtudes, mas os ler na íntegra era demais. Não atingiríamos o topo da escada sem avançar o primeiro degrau, depois o segundo, depois o terceiro. Foi assim que a maioria dos meus colegas permaneceu no térreo, enquanto a professora gritava lá de cima para se fazer ouvir. No final da história, quem acabou ignorada foi ela. Os alunos, infelizmente, acabaram ignorantes.

Ainda bem que literatura não tem idade, quer dizer, pode-se descobri-la a qualquer momento. Fui aprender isso apenas na pós-graduação. Quem me ensinou, por ironia do destino, foi uma professora de História da Literatura, Thais Rodegheri Manzano – nome que divulgo com orgulho e carinho. Seu entusiasmo pelos livros era contagiante e me fez perceber que, se uma pessoa ainda não se apaixonou por eles, é porque ainda não encontrou o livro certo. Pois basta deixar o coração aberto e estar disposto a experimentar o novo que uma hora isso acontece.

No livro Artimanhas da ficção, Thais menciona a aula de leitura que o escritor argentino Jorge Luis Borges dava na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Buenos Aires. Ela declamava isso quase toda semana, como se fosse um hino:

"Se um livro os aborrece, larguem-no; não o leiam porque é famoso, não leiam um livro porque é moderno, não leiam um livro porque é antigo. Se for maçante, larguem-no, esse livro não foi escrito para vocês. A leitura deve ser uma forma de felicidade."

Há quem diga que o desinteresse por livros é cultural, que os brasileiros jamais lerão tanto quanto os franceses e os americanos, mas eu acredito em mudanças.

Meu pai, que viveu cinquenta e cinco anos sem ter lido praticamente um único livro, veio me contar outro dia, cheio de satisfação, ter terminado seu terceiro. Eu, minha mãe e minha irmã sempre estivemos com o nariz metido em algum. Demorou, mas ele resolveu pôr o preconceito de lado e, depois de meia dúzia de tentativas, descobriu um estilo que lhe agradava. Uma porta assim se abriu e ele está adorando explorar esse novo mundo.

Outra coisa que digo por experiência própria: se você quiser que seus filhos leiam, não basta contar historinhas ao pé da cama. Eles precisam ver você lendo. Senão, vai parecer que literatura é coisa de criança.

Um senhor que trabalhava comigo e que também era aficionado por livros certa vez me revelou que a lembrança mais marcante de sua infância era a figura da mãe, sentada na cadeira de balanço, com um livro no colo. Ela passava horas ali e o menino, fascinado, ficava admirando seu semblante pleno.

Já eu me lembro de meu avô, depois do almoço, sentado no sofá da sala a folhear uma das enciclopédias de fauna e flora que tanto lhe agradavam. Eu sentava ao seu lado e ele me revelava o significado daquelas letrinhas, que ainda eram mistério para mim.

Entre os diversos fatores que prejudicam o hábito de ler está o cultural, é verdade. Porém, já disse antes, eu acredito em mudanças. Como o próprio termo sugere, cultura é algo que se cultiva, e ela renderá os frutos que a gente plantar. Deixo aqui uma sementinha. Pois ler é uma paixão que se ensina, que se incentiva e que se compartilha. Como toda paixão, depois que nos conquista, é impossível de largar.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

A ficção me faz chorar
lágrimas de emoção.

A realidade não.

É triste, verdade;
mas é feita
de homens
por homens.

A realidade não merece minhas lágrimas,
merece minha ação.

Cores, sons e palavras;
Coração.

Minha própria ficção.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

ARTE E ARTESANATO, RIQUEZA MATERIAL E RIQUEZA CULTURAL


Ruína de charque Caruaru (2000), de Adriana Varejão

“Uma matéria alcança, por meio do trabalho de um autêntico artista um valor interior, que permanece para a eternidade, ao passo que a forma dada por um trabalhador mecânico, inclusive ao metal mais precioso, sempre tem em si mesmo, no melhor trabalho, algo de insignificante e de indiferente, que apenas pode alegrar enquanto é novo.”

Em 1797, Johann Wolfgang Goethe escreveu uma singela reflexão a respeito do valor do objeto artístico e do objeto artesanal. Singela, porém corajosa, tendo em vista que o assunto é complexo. Na época, a produção industrial europeia crescia fervorosamente e despejava milhares de traquitanas no mercado, desde utensílios domésticos a gravuras e reproduções de pinturas famosas. Incomodado com a banalização da arte, aquele escritor, filósofo e cientista alemão defendeu a singularidade da obra de arte, classificando-a como “verdadeira riqueza” e a relacionando à produção de conhecimento:

“A verdadeira riqueza consiste, portanto, na posse de tais bens, que se conserva por toda a vida, em cujo gozo possamos sempre mais nos alegrar junto aos conhecimentos sempre maiores.”

O toque do artista, com sentimento e sensibilidade, produziria obras com “valor interior”, enquanto os objetos industriais conteriam apenas o encanto superficial com que satisfaziam o público menos esclarecido. Ao invés de verdadeira riqueza, esses objetos proviriam o luxo. E só.

Duzentos anos depois, passadas a teoria de Walter Benjamin sobre a reprodutibilidade técnica da arte e a incorporação do processo industrial realizada pelo movimento Pop, o assunto ainda é relevante. Afinal, o que nos faz chamar uma Ferrari de obra-prima, enquanto o pintor de azulejos da feirinha hippie continua subjugado como artesão?

Fico me perguntando o que Goethe teria a dizer sobre esses valores em nosso confuso período contemporâneo.


GOETHE, Johann Wolfgang. Arte e artesanato. In: Escritos sobre arte. São Paulo: Editorial Humanitas / Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2008.